Em entrevista ao Uai, ele falou das ambições do Veranópolis - 19/02/07

Gaúcho de Porto Alegre, o técnico Edson Porto, de 49 anos, foi o responsável por montar todo o elenco do Veranópolis. Assim que chegou, em dezembro, recebeu a missão de fazer uma boa campanha no Estadual e tentar surpreender na Copa do Brasil. Até aqui, seu time ocupa a sexta posição no Gaúcho e segue com chances de classificação. O maior desafio, no entanto, será eliminar o Cruzeiro no torneio nacional, justamente um dos favoritos ao título.

Qual é a aspiração do Veranópolis na Copa do Brasil?

Eu acredito que é o campeonato de maior visibilidade do Brasil, pois integra mesmo os times fora de série, quer dizer, que não estão nas Série A, B ou C. Nosso time, por exemplo, é um time fora de série, não está sequer na C. Mas a gente tem todo um trabalho de dois meses com o objetivo de participar, de fazer bons jogos, e de ir longe no Campeonato Gaúcho. Agora nosso foco é todo na Copa do Brasil. Sabemos que pegamos um dos adversários mais fortes, é um ganhador de Copas, o Cruzeiro, mas a gente tem esperança de fazer um grande jogo. As zebras acontecem. A gente sabe das nossas limitações, mas vamos trabalhar para eliminá-los.

O fato de o seu time ter jogado mais que o Cruzeiro este ano pode ajudar?

Nosso grupo está em formação, começamos do zero o trabalho. Quando cheguei aqui, o clube não tinha jogador nenhum. Não havia ninguém. Nesse começo se contrata e se dispensa muito. Quando se tem a base, facilita. O Cruzeiro tem pouco tempo de futebol, tem uma trajetória menor este ano, mas as individualidades são evidentes, a gente conhece bem as individualidades do Cruzeiro, o conjunto é que a gente não sabe.

Qual é o estilo da sua equipe, as características?

Um time de bastante pegada, muita marcação, mas que, com a posse de bola, procura jogar. Dentro do estilo gaúcho, luta até o fim. Nosso Campeonato Gaúcho é muito difícil, em três jogos fora buscamos empate saindo atrás, virando jogos, quer dizer, é um time que briga até o fim. A coisa não vai ser fácil para o Cruzeiro. Sabemos da diferença de estrutura dos times, mas vamos trabalhar. O futebol está nivelado, são 11 contra 11 e faremos o máximo para dificultar a tarefa deles. Temos que sonhar com a classificação.

O Cruzeiro vem de derrota em clássico e quer a recuperação justamente contra vocês. Isso assusta?

Tomara que não seja contra nós essa recuperação. Queremos fazer um grande jogo. Temos objetivo e vamos atrás dele.

Qual será a postura do Veranópolis contra o Cruzeiro?

Temos que ter todo o respeito com o Cruzeiro, mas com certeza vamos buscar o resultado. Não posso dizer que vamos atacar o tempo todo, mas para ganhar nós vamos atacar. Hoje nós jogamos com atacantes de muita movimentação, um mais como referência, e nosso time tem feito muitos gols. No Gaúcho, só não fizemos gols em um jogo.

Como é o comportamento da torcida local?

Ela é bastante pacífica, tem apoiado muito o time, principalmente porque ele vem em um crescimento. Nesse último jogo, contra o Glória de Vacaria, o apoio do torcedor foi muito importante. Fazia 11 anos que não ganhávamos do Glória e quebramos esse tabu. Em jogos contra Grêmio e Inter, o estádio fica dividido, mas nesse duelo com o Cruzeiro com certeza o estádio será 100% nosso. Isso ajuda, porque empolga os jogadores. Estamos muito animados.

Como foi a sua trajetória no futebol, como jogador e treinador?

Joguei nas categorias de base do Grêmio, do Inter, rodei muito e parei de atuar com 27 anos. Comecei a trabalhar como treinador no Internacional, tenho uma história de mais ou menos oito anos na base do Inter e do Grêmio. Depois fiquei oito anos no Japão, trabalhei no Shimizu, no Yokohama, e em outros clubes. Tive um bom momento no Brasiliense em 2002, montei aquele time que foi vice-campeão da Copa do Brasil. O Péricles Chamusca pegou o time formado por mim. Trabalhei em muitos clubes do interior gaúcho, paulista, do Mato Grosso e Santa Catarina. Voltei para o Japão três anos e dirigi o Gama na Série B do ano passado